Arquiteta morta pelo ex-namorado enfrentou ameaças, agressões e facadas: 'Ciúme doentio’, diz mãe da vítima
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Polícia encontra corpo de arquiteta de Serra Negra desaparecida há três meses
A arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, morta a tiros pelo ex-namorado em São Paulo (SP), viveu um relacionamento conturbado, cercado por violência e ameaças desde o início, em 2023.
Segundo Neusa Aparecida, de 56 anos, a filha encontrou em Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, um homem controlador e que tinha um ciúme que definiu como "doentio". Ele foi preso e confessou o feminicídio.
A mãe conta que Fernanda conheceu Euhanan quando trabalhava em um hotel em Águas de Lindoia (SP), já como arquiteta, e ele funcionário de uma empreiteira de São Paulo.
"Esse cara era muito ciumento, psicopata. Começou a ter ciúmes doentio. Ela perdeu o emprego, foi para São Paulo com ele. E foi no final de 2023 e no começo de 2024 que foi ficando mais abusivo, ele sendo controlador da vida dela, mantendo ela presa, sem ver a gente", recorda.
Neusa relata que em 2024, durante uma fuga de Fernanda para ver os pais no interior de São Paulo, que Euhanan a levou novamente para São Paulo e a espancou.
Nesse mesmo ano, a arquiteta procurou a Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência após ser agredida com socos, chutes e golpes de capacete na cabeça.
No termo de declaração, assinado em 23 de junho de 2024, Fernanda relatou que já havia sido agredida diversas vezes e que as ameaças de morte eram constantes. Segundo a declaração, ela não conseguia se separar de Euhanan justamente por medo dessas ameaças.
"Teve espancamento, boletim de ocorrência, medida protetiva. Ela voltou pra cá e ele veio, conseguiu levá-la de novo, para retirar a queixa. Ela queria ficar aqui, ele não queria, até que em 2025, ele a esfaqueou, deu oito golpes de faca, perfurou o baço, intestino, pulmão, ela quase morreu", detalha Neusa.
A confirmação da morte de Fernanda, após três meses de angústia após o desaparecimento, deixou a família abalada. Segundo a mãe, a arquiteta tinha muitos sonhos, entre eles, construir uma casa para os pais no interior de São Paulo.
"Tinha muitos sonhos, sonho de construir uma casa para a gente, que paga aluguel. Eu tenho o marido acamado, ela ajudava a cuidar do pai. A vida da gente corria em paz, mesmo com as dificuldades de ser pobre. Até ela conhecer esse infeliz", afirma Neusa.
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Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, foi preso e confessou a morte da ex-namorada em São Paulo
Reprodução/EPTV
O que fazer?
A advogada criminalista Erika Chioca Furlan explica sobre a importância de uma rede de proteção para mulheres vítimas de violência.
Em cenários em que a mulher tem dificuldades para formalizar a denúncia e relatar a situação vivida às autoridades, é papel de pessoas próximas e que saibam da situação denunciar.
"Se essa informação não chega para quem deveria chegar, ninguém consegue tomar providências. Por isso a importância da rede de proteção estar ciente do que está ocorrendo, porque alguém pode denunciar por ela", explica.
Doutoranda em ciências sociais pela Unicamp, professora de direito processual penal e ex-delegada de polícia do estado de São Paulo, Erika esclarece que ainda há dependência da manifestação da vítima para muitos atos adotados pelas autoridades, mas há leis que reforçam a importância de um olhar além da vítima.
"A Lei 17.406/2021 em São Paulo, que obriga síndicos a noticiarem casos de violência doméstica, é uma tentativa de ter um olhar além da vítima", pontua.
Esfaqueada oito vezes
Indicou local do corpo
O corpo de Fernanda foi localizado após a prisão de Euhanan no sábado. Ele foi abordado por policiais enquanto caminhava pela rua, após uma denúncia, confessou o crime e indicou o local onde o corpo estava.
Euhanan passou por audiência de custódia no domingo (25), quando a prisão foi confirmada. Na audiência ele foi representado pela Defensoria Pública. O g1 tenta localizar a defesa dele.
Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, estava desaparecida desde outubro de 2025
Reprodução/Redes sociais
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