Danos à economia são uma arma que o Irã tem usado para forçar uma negociação

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
Irã aposta no caos e amplia ataques para atingir a economia dos países do Golfo Pérsico O Irã aposta no caos: amplia os ataques para tentar atingir a economia dos países do Golfo Pérsico. Nem só de mísseis se faz uma guerra. Os danos à economia também são uma arma, que o Irã tem usado para forçar uma negociação: a ameaça de afundar qualquer embarcação que tentar passar pelo Estreito de Ormuz. Um site de monitoramento via satélite mostra a concentração de navios petroleiros que não conseguem sair nem entrar no Golfo Pérsico, onde o setor de petróleo e gás é a base da economia. Poucas embarcações se arriscam. Foi o caso de uma que atravessou Ormuz fora da faixa de navegação. Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos dependem quase exclusivamente de Ormuz para vender a produção. O diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo diz que os oleodutos não dão conta de escoar os 18 milhões de barris que passam pelo estreito por dia - e também não são seguros. "Um oleoduto está tão sujeito a condições de segurança quanto um navio, porque ele pode muito bem ser sujeito também de ataques”, afirma Roberto Ardenghy, diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis. Danos à economia são uma arma que o Irã tem usado para forçar uma negociação Jornal Nacional/ Reprodução As embarcações de gás também estão paradas. O professor de Relações Internacionais da USP Hussein Kalout explica que o Irã tenta sufocar a economia dos países árabes para que eles cobrem dos Estados Unidos um cessar-fogo: "Os países árabes são os maiores investidores hoje na economia americana, são os maiores investidores no governo Trump, nas plataformas econômicas e nos setores empresariais associados ao governo Trump. Então, esses países, sim, têm a capacidade de pressionar diretamente o presidente americano a encontrar uma solução rápida para a guerra”. O estrangulamento da economia dos países árabes não se dá apenas pela via das exportações. São nações que dependem muito das importações que chegam pelo mar, principalmente comida - milho, carne, frutas e verduras, por exemplo. Um navio que transporta grãos saiu do Brasil e está há uma semana parado na entrada do estreito. O professor de economia do Mackenzie Hugo Garbe diz que é difícil encontrar alternativa para essas cargas: "Você pode até fazer a importação via aérea, mas é muito caro, e a capacidade de estocagem é muito pequena. De fato, é uma pressão para os países, um trunfo bastante importante que o Irã tem nas mãos”. LEIA TAMBÉM Trump diz não se importar se novo governo do Irã será democrático Trump exige 'rendição incondicional' do Irã Por que invasão por terra no Irã pode estar a caminho - mas não por soldados americanos ou israelenses Resistência e dissuasão: a estratégia de alto risco do Irã para a guerra Sandra Cohen: Em uma semana, guerra no Irã produz efeitos drásticos no Oriente Médio e mensagens contraditórias dos EUA

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/03/06/danos-a-economia-sao-uma-arma-que-o-ira-tem-usado-para-forcar-uma-negociacao.ghtml


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