Escritora do AP vence prêmio com poesia sobre mulheres sem acesso à água potável na Amazônia
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Escritora amapaense conquista prêmio de melhor poesia nacional
A escritora amapaense Girlene Chucre conquistou o Oscar Literário, realizado neste mês em Olinda (PE). Ela venceu na categoria Melhor Poesia Nacional com a obra “Lata d’água”, que retrata o drama de mulheres ribeirinhas da Amazônia sem acesso à água potável.
O poema nasceu da memória da própria autora. Durante anos, sua mãe precisou carregar latas de água para abastecer a casa e realizar tarefas diárias.
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Essa rotina, marcada pelo esforço físico, ainda acompanha muitas mulheres em comunidades remotas, que acordam de madrugada para buscar água. Em vez de sair das torneiras, o líquido precisa ser colhido e transportado em latas pesadas.
Chucre participa do projeto “Mulheres do Saneamento e Saúde Ambiental no Meio do Mundo”, onde pôde observar de perto essa realidade. Segundo ela, a iniciativa tem caráter social e dá voz às mulheres que vivem sem água potável e sem saneamento básico.
“Eu me inspirei na vivência dessas mulheres. Quando levamos essa realidade para outros Estados, estamos fazendo uma denúncia social”, afirmou.
A autora destaca que, além da escassez de água, a falta de saneamento reforça o peso do trabalho braçal imposto às mulheres. Um dos versos de “Lata d’água” traduz essa rotina árdua:
Quem disse que a Maria não cansa.
Cansa sim!
Ela cansa, entristece,
Envelhece,
Adoece e falece.
Oscar Literário ocorreu neste mês na cidade de Olinda
Girlene Chucre/Arquivo pessoal
Para Chucre, o poema também reflete o papel histórico da mulher como cuidadora. “Na sociedade patriarcal, a mulher sempre foi vista como responsável pelo lar. No século XXI, isso ainda persiste. Nosso projeto traz essa menção, mas fala sobretudo da saúde e do direito humano dessas famílias terem água potável”, disse.
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Ela ressalta que políticas públicas ligadas ao saneamento têm avançado nos últimos anos, mas ainda precisam ser mais efetivas.
“Existe a lei que prevê a universalização do saneamento. Cada domicílio ocupado tem esse direito. Precisamos desse trabalho aqui no Amapá, principalmente nas comunidades quilombolas, ribeirinhas, assentadas e extrativistas”, completou.
Mais de 60 obras disputaram o prêmio, organizado pela Editora Compose, de Recife.
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