Funerais de pet com chuva de pétalas de rosas e cremação que transforma cinzas em joia chamam a atenção em Goiás
08/02/2026
(Foto: Reprodução) Despedidas de pet têm chuva de pétalas e até diamante feito das cinzas, em Goiás
Há cerca de três meses, a dona de casa Miriam Brogli perdeu o seu cãozinho Shih Tzu. Gucci morreu, aos 14 anos, depois de uma intercorrência em uma clínica veterinária. Ao perder o pet, a moradora de Goiânia decidiu fazer uma despedida à altura do amor que sentia por ele, contratando um serviço de velório especial, com direito a chuva de pétalas de rosas.
"Na hora, o choro já foi, assim, de alegria, de satisfação, sabe? De que você tá no lugar certo, fazendo todas as honras para quem você ama", relatou.
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Miriam conta que, além do tratamento cuidadoso dos funcionários no momento de luto, a funerária especializada em pets disponibilizou cafezinho e lanche para os tutores, que ficam em uma sala reservada só para esse momento delicado.
"A menina (da funerária) me dava um lencinho para chorar toda hora, porque eu não parava. Que carinho! Depois você vai para outra sala. E vem chuva de pétalas em cima dele. Uma coisa tão fantástica que te dá aquele alívio no coração", relatou.
Além do funeral, Gucci também foi cremado e teve as cinzas colocadas em uma urna feita de resina, com o formato de um cãozinho. A peça, hoje, está integrada à decoração do quarto do filho dela, tutor do Gucci (veja no vídeo, no início da reportagem).
Tutores como Miriam, que desejam um serviço mais humanizado para o momento do adeus aos seus pets, têm sido cada vez mais comuns, segundo Omar Layunta, diretor da PaxdominiPet, empresa que atendeu a dona de casa e o seu cãozinho. Há três anos, a funerária criou um pacote específico para pets ao perceber como necessidade crescente do mercado.
"O pet é como se fosse realmente um familiar. É uma questão muito mais particular e íntima, emocional em todos os sentidos", avalia.
O diretor explica que o pacote com todos os serviços custa R$ 1.300. O valor inclui:
traslado do corpo do animal, que pode ser recolhido tanto na casa do tutor quanto em uma clínica veterinária;
cerimônia de homenagens, em sala reservada, com café e degustação de salgadinhos;
cerimonialista, responsável por fazer um discurso de homenagem e retrospectiva da história do bichinho;
cremação;
entrega das cinzas do animal em uma urna, com chuva de pétalas no momento da entrega.
O cãozinho Gucci foi cremado e homenageado pela tutora Miriam. À dir,. chuva de pétalas de rosas
Arquivo pessoal Miriam Brogli e Divulgação/ PaxdominiPet
Cinzas viram diamante
Além de cerimônias exclusivas e intimistas, os tutores também têm diversas opções para guardar as cinzas dos pets após a cremação. Há urnas personalizadas, feitas de resina e até de material biodegradável, a alternativa ideal para quem deseja, por exemplo, plantar uma árvore em memória ao bichinho, como explica Guilherme Santana, CEO da Pet Vale do Cerrado.
"Você pega aquela urna e enterra no solo. E aí você planta junto aquela árvore, para simbolizar aquela perda. A semente é entregue junto. Tem várias para escolher: ipê, jacarandá...", disse.
Para quem tem condições financeiras de investir mais no adeus ao pet, há, ainda, o serviço de transformação das cinzas do bichinho em diamante. "A gente pega essas cinzas, envia para Curitiba. Eles fazem o processo e nos entregam. Aí, a gente entrega para a família. Pode ser tanto só o diamante, como pode ser joia também", explicou.
Tutores podem escolher dispersar as cinzas do bichinho nos jardins do cemitério do Vale do Cerrado ou guardar em pingente
Divulgação/ Pet Vale do Cerrado
Tutores que não desejam guardas as cinzas do animal após a cremação podem pedir à funerária para que elas sejam apenas dispersas no jardim do cemitério do complexo do Vale do Cerrado, por exemplo, que fica em Goiânia, na saída para Trindade.
"A gente pega as cinzas do animal, faz a aspersão ali num jardim, em alguma área interna do cemitério, filma esse evento e manda o vídeo para a família", detalhou.
No caso da Vale do Cerrado, os serviços variam de R$ 800 a R$ 2 mil. O preço varia de acordo com o peso do animal. A cremação é para bichos de até 80 quilos e não é exclusiva para cães e gatos. "Eu já cremei cobra, passarinho, hamster...", conta Guilherme.
Mudança cultural
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019 Goiás era o oitavo estado com maior percentual de domicílios com algum cachorro (58,2%), acima da média nacional (46,1%). As informações são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).
Embora não haja dados desde então, a percepção de quem atua no mercado funerário é que os cuidados com os pets estão se tornando cada vez mais comuns, incluindo, agora, os realizados de forma póstuma. Foi nesse cenário que a Vale do Cerrado passou a trabalhar, há dois anos, com serviços fúnebres para os pets.
Para o Guilherme Santana, a oferta desses serviços diferenciados para os tutores é uma resposta do mercado a uma tendência fruto de uma mudança cultural, que envolve também o aumento, em todo o país, na quantidade de famílias sem crianças, mas com pets.
"O apego aos animais vem muito dessa diferença cultural que os jovens vêm trazendo. A gente tem visto cada dia mais as geração Y e Z falarem que não vão ter filhos. Por conta disso, muitas vezes essas gerações têm transferido esse afeto para os animais", avalia.
Os serviços descritos pelas empresas estão disponíveis para tutores dos municípios da Região Metropolitana de Goiânia. É importante destacar que, na capital, o descarte de corpos de animais em terrenos baldios, bocas de lobo, ruas, avenidas e córregos é ilegal, segundo a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
Para quem não pode pagar pelos serviços descritos na reportagem, a companhia informou ao g1 que faz a coleta de bichinhos que morreram em residências ou áreas particulares mediante o pagamento de uma taxa de R$ 150 no caso de animais de até 15 kg e de R$ 225 para os que pesam acima disso. O valor para animais não domésticos é de R$ 300. As solicitações para o recolhimento devem ser registradas pelo aplicativo GYN 24h.
O g1 questionou a Comurg sobre qual é a destinação do corpo do animal recolhido, mas não obteve retorno. A reportagem também questionou a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) sobre isso e sobre o que a legislação de Goiânia prevê em relação ao descarte de animais domésticos, mas também não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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