Irã acusa Europa de hipocrisia e ameaça reagir à inclusão da Guarda Revolucionária em lista terrorista: 'Movimento perigoso'
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Guarda Revolucionária do Irã anuncia manobras militares com munição real
O governo do Irã acusou a União Europeia de hipocrisia e ameaçou reagir à decisão do bloco de incluir a Guarda Revolucionária iraniana na lista de organizações terroristas. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (29), a chancelaria classificou a medida como um “movimento perigoso”.
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A decisão foi anunciada mais cedo pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, no contexto da repressão de Teerã aos protestos contra o governo nas últimas semanas. Segundo ONGs, mais de 6 mil pessoas morreram.
“Os ministros das Relações Exteriores da UE acabaram de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista. Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a própria destruição”, afirmou Kallas.
O bloco também anunciou sanções contra o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, o procurador-geral e dirigentes da Guarda Revolucionária.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, a decisão é “ilegal e injustificada”. O governo iraniano criticou ainda a classificação de uma instituição militar oficial de um país como organização terrorista.
No comunicado, a chancelaria iraniana afirmou que a justificativa da União Europeia, baseada em preocupações com direitos humanos, é uma “mentira descarada” e um ato de hipocrisia.
O Irã declarou ainda que “reserva seus direitos legítimos e legais” de adotar medidas recíprocas em resposta à decisão europeia.
A Guarda Revolucionária do Irã já é considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos, Canadá e Austrália.
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Protestos e repressão
Autoridades iranianas de primeiro escalão, começando pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmam que protestos são instigados do exterior
Reuters
As medidas anunciadas pela União Europeia ocorrem após uma onda de protestos iniciada por causa da crise econômica e do alto custo de vida no país. Com o passar dos dias, as manifestações também passaram a pedir a queda do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governa o país há 35 anos.
A repressão aos protestos, com relatos de que policiais e militares executaram manifestantes nas ruas, gerou indignação internacional. Segundo ativistas e a agência de notícias Reuters, milhares de pessoas morreram ou foram presas durante a onda de violência.
O governo iraniano nega as acusações e afirma que as mortes de civis e agentes de segurança foram causadas pelos próprios manifestantes que incitaram a violência. As autoridades também acusam os Estados Unidos e Israel de infiltrarem agentes nos protestos.
Khamenei condenou as manifestações e afirmou que as autoridades do país “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão.
“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos, assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”, disse Khamenei a apoiadores.
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