New START: último acordo nuclear entre Rússia e EUA expira

  • 04/02/2026
(Foto: Reprodução)
Rússia usa míssil com capacidade nuclear Expira no fim da noite desta quarta-feira (4) o prazo para renovação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas, o New START. O pacto limita o arsenal nuclear de Rússia e Estados Unidos desde a Guerra Fria. O término do acordo eleva o temor de uma nova corrida armamentista entre as duas maiores potências atômicas do mundo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Na prática, o New START restringe o arsenal estratégico de cada país a 1.550 ogivas e 800 sistemas de lançamento. Sem sinais claros de renegociação por parte de Moscou ou Washington, até o papa Leão XIV se juntou a apelos de comunidades civis e científicas por um entendimento de última hora. "A situação atual exige que se evite uma nova corrida armamentista que ameaça ainda mais a paz entre as nações", disse o líder da Igreja Católica nesta quarta-feira. Rússia e Estados Unidos concentram, com folga, os maiores arsenais nucleares do planeta. Estima-se que cada país tenha mais de 5 mil ogivas. O total inclui armamentos desativados e armazenados, que não podem ser usados de imediato. Moscou aparece em primeiro lugar, com 5.459 ogivas. Os EUA têm 5.177. Em terceiro, distante, está a China, com cerca de 600. É justamente o rápido crescimento do arsenal nuclear de Pequim – foram 100 novas ogivas desenvolvidas só em 2023 – que tem sido apontado pelo presidente americano Donald Trump como o principal motivo para o abandono do New START. Em janeiro, Trump afirmou ao New York Times que, se o tratado expirar, "ele vai expirar", e disse que buscaria "um acordo melhor". No ano passado, defendeu incluir a China em negociações de controle nuclear. Pequim rejeita a proposta. Para o governo chinês, a demanda não é "justa nem razoável", já que a capacidade nuclear do país "não é comparável em escala" à dos EUA, disse um porta-voz nesta quarta. Rússia diz estar pronta para cenário sem limites Barack Obama e Dimitri Medvedev assinam o New START em 8 de abril de 2010 REUTERS/Jason Reed Do lado russo, houve uma proposta do presidente Vladimir Putin para a renovação do New START por um ano, ainda em setembro de 2025. Mas o país parece ter perdido a paciência. "A falta de resposta também é uma resposta", afirmou nesta semana Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores, durante visita a Pequim. Segundo ele, a Rússia está pronta para uma realidade em que as duas maiores potências nucleares não terão limites pela primeira vez em décadas. O New START não foi o primeiro acordo desse tipo. O START 1 foi assinado em 1991, ainda no fim da Guerra Fria, e entrou em vigor em 1994. O START 2, definido em 1993, acabou abandonado após tensões entre Moscou e Washington no início dos anos 2000. Em 2010, Barack Obama e Dmitri Medvedev assinaram o New START, que passou a valer no ano seguinte. Os tratados, junto com os esforços mundiais para a redução dos riscos de uma guerra nuclear, surtiram efeito. Em 1986, o total de ogivas no mundo alcançava impressionantes 70 mil unidades. Em 2025, no entanto, esse número estava em 12 mil. LEIA TAMBÉM Diante de fim de acordo nuclear, aliado de Putin provoca EUA nas redes: 'O inverno está chegando' 'Testa de ferro' de Maduro é preso em operação conjunta de Venezuela e EUA Trump diz que 'podia ter sido mais delicado' nas ações em Minneapolis que deixaram 2 mortos O risco de uma nova corrida nuclear Imagem de arquivo mostra teste com arma nuclear feito pelos Estados Unidos Yucca Flats, no estado de Nevada, em 1955. Comissão Atômica dos Estados Unidos via AP Além de limitar o número de ogivas atômicas, o New START também determina o controle mútuo das instalações nucleares, por meio de inspeções e troca de dados. O objetivo era excluir a possibilidade de um dos dois países lançar mão "acidentalmente" de um ataque nuclear ao interpretar mal as informações do outro lado. Mas, no atual contexto, esse ponto não tem funcionado como previsto. A pandemia de Covid-19 levou, em 2020, à suspensão das inspeções locais. Dois anos depois, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Putin rejeitou vistorias e troca de dados com os EUA, que também deixaram de compartilhar com Moscou informações exigidas no âmbito do New START. Em meio a esses ruídos, ambos os países têm aumentado os investimentos em instalações militares, com seus líderes inclusive abordando a possibilidade do teste e uso de armas atômicas em discursos. Se o tratado chegar mesmo ao fim, o risco maior é que essa corrida nuclear, que já está em curso, fique ainda mais perigosa. "Sem o tratado, cada lado ficará livre para acrescentar centenas de ogivas aos seus mísseis e bombardeiros pesados, praticamente dobrando o tamanho de seus arsenais existentes", afirmou Matt Korda, diretor do Projeto de Informação Nuclear da Federação de Cientistas Americanos, à Reuters. "Há muitas pessoas no establishment nuclear que querem aumentar rapidamente o tamanho da potência dos EUA para combater o fortalecimento estratégico da China", disse Daryl Kimball, diretor da Associação de Controle de Armas em Washington, ao jornal britânico The Guardian. Segundo ele, o fim do New START também pode afetar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que será revisado em 2026. O acordo prevê que países sem armas nucleares, como o Brasil, permaneçam assim, enquanto potências nucleares se comprometem a buscar desarmamento. Ambição europeia Bandeiras da União Europeia Stephanie Lecocq/Reuters Na Europa, o fim do New START, em meio aos conflitos na Ucrânia e às tensões de Trump com a Groenlândia, reacenderam o debate atômico entre os líderes do continente. O chanceler alemão Friedrich Merz admitiu conversas iniciais com França e Reino Unido sobre um sistema europeu. Há risco de que a Rússia pressione pela inclusão dessas potências em um futuro acordo semelhante ao New START. Para a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN), no entanto, o futuro é incerto e preocupante, diante do fim do tratado. "Embora os arsenais nucleares da Rússia e dos EUA, mesmo com os limites do New START, já representassem uma ameaça inaceitável para a humanidade, sem ele, o risco do uso de armas nucleares provavelmente aumentará, devido à possibilidade de uma corrida armamentista nuclear intensificada", disse a organização não governamental. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/04/new-start-ultimo-acordo-nuclear-entre-russia-e-eua-expira.ghtml


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