Sarampo cresce 32 vezes nas Américas em um ano; veja países mais afetados e a situação do Brasil
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados.
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A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um alerta epidemiológico na terça-feira (3) após o aumento significativo de casos de sarampo na região das Américas em 2025 e no início de 2026. Quase 15 mil casos da doença foram confirmados no continente no ano passado, um crescimento de mais de 30 vezes em relação a 2024. Neste ano, apenas nas três primeiras semanas, outros mil casos já foram registrados.
A OPAS aponta que a maioria das infecções ocorreu em pessoas não vacinadas ou sem informação sobre o esquema vacinal. Crianças menores de cinco anos concentram as maiores taxas de incidência, com destaque para bebês com menos de um ano, considerados o grupo mais vulnerável às formas graves da doença.
O alerta também chama atenção para a queda na cobertura vacinal nos países das Américas. Em muitos deles, a aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, permanece abaixo dos 95% recomendados para evitar a circulação do vírus.
México, Canadá e Estados Unidos lideram o número de casos na região. No Brasil, os registros confirmados em 2025 foram associados, em sua maior parte, à importação do vírus, segundo o relatório. Os casos ocorreram em diferentes estados e envolveram principalmente pessoas sem vacinação comprovada.
Estudo da OMS alerta para importância da vacinação contra o sarampo
• Países com mais casos (2025): México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242).
• Mortalidade: Das 29 mortes registradas, 22 (73%) ocorreram em populações indígenas, evidenciando a vulnerabilidade desses grupos.
• Perfil dos Infectados: 78% das pessoas que contraíram o vírus em 2025 não estavam vacinadas
Casos no Brasil
O ano de 2025 marcou um retrocesso no controle da doença na região. Foram confirmados 14.891 casos e 29 mortes em 13 países. Esse total representa um aumento de 32 vezes em relação aos 466 casos notificados em 2024.
Em 2025, o Brasil confirmou 38 casos de sarampo, distribuídos pelo Distrito Federal e seis estados. Nas primeiras três semanas de 2026, o país ainda não registrou novos infectados
Distribuição dos casos em 2025:
Tocantins: 25 casos.
Mato Grosso: 6 casos.
São Paulo e Rio de Janeiro: 2 casos cada.
Distrito Federal, Maranhão e Rio Grande do Sul: 1 caso cada.
De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o sequenciamento permite identificar de onde os casos estão vindo.
“Esses casos importados não se traduzem em circulação ativa do vírus. Dos 38 casos, a maioria foi no Tocantins, depois que uma família de caminhoneiros foi à Bolívia e voltou com sarampo, o que acabou gerando um surto em uma comunidade com baixíssima cobertura vacinal por questões religiosas", afirma o vice-presidente.
O Brasil recuperou em novembro de 2024 a certificação de país livre do sarampo, concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). “A recertificação trouxe mais segurança; o reconhecimento foi reconquistado não apenas pelas altas coberturas vacinais, mas também pela vigilância ativa, com busca de casos suspeitos, realização de exames e resultados negativos, o que demonstra que o país investiga continuamente e não encontra circulação do vírus” , diz Kfouri.
Segundo Renato, a cobertura vacinal está entre 94% e 96%, mas o principal desafio é ampliar a aplicação da segunda dose, uma das recomendações feitas após a última visita técnica. Ele ressalta que as coberturas são maiores na primeira dose e diminuem nas doses seguintes, devido às taxas de abandono acumuladas.
O que é o Sarampo e quais são os sintomas?
O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus transmitido por vias aéreas, que já foi muito prevalente na infância de todas as crianças brasileiras. Ele pode deixar sequelas por toda a vida ou levar à morte.
Sintomas comuns e característicos da doença são manchas brancas na parte interna da bochecha e vermelhas na pele. Elas aparecem primeiro no rosto e vão em direção aos pés.
Outros sintomas comuns são tosse persistente, irritação nos olhos e corrimento no nariz. A doença também pode causar febre, infecção nos ouvidos, pneumonia, diarreia, conjuntivite, perda e apetite e convulsões.
O vírus também pode atingir as vias respiratórias e até causar e infecções no encéfalo.
Copa do Mundo 2026 e viagens
A circulação do vírus é alimentada pelo fluxo internacional. Em 2025, 71% dos casos na região foram relacionados à importação do vírus de outros continentes, como África e Mediterrâneo Oriental.
A OPAS destaca a Copa do Mundo da FIFA 2026 como um fator de risco devido ao imenso fluxo de turistas. As recomendações para viajantes são claras:
1. Vacinação Antecipada: Viajantes com mais de 6 meses de idade devem se vacinar pelo menos 14 dias antes da partida.
2. Dose Zero: Bebês de 6 a 11 meses que viajam para áreas de transmissão devem receber a "dose zero" (que não substitui o esquema de rotina aos 12 meses).
3. Monitoramento de Sintomas: Ao retornar, fique atento a febre, exantema (manchas vermelhas), tosse, coriza ou conjuntivite
“A vacinação deve alcançar toda a população, independentemente de estar viajando ou não. São duas doses para os menores de 30 anos e uma dose para pessoas entre 30 e 60 anos. Para quem vai viajar, o ideal é se vacinar pelo menos 14 dias antes, para garantir um grau de proteção”, explica Kfouri.
(*Estagiária sob supervisão de Ardilhes Moreira)